Um mês depois, nada mudou: saúde da Região Leste segue abandonada após pedidos entregues à governadora
O documento foi entregue em mãos. Os problemas foram apresentados de forma clara. Os riscos à população foram expostos. Mas, passados 30 dias desde a reunião entre o Conselho Regional de Saúde do Paranoá e a governadora Celina Leão, a realidade da saúde pública na Região Leste do Distrito Federal continua exatamente a mesma.
Nada Mudou.
Os elevadores do Hospital da Região Leste (HRL) continuam apresentando falhas. Pacientes seguem enfrentando demora e dificuldades no atendimento. A falta de profissionais permanece sobrecarregando servidores. Cirurgias continuam sendo canceladas por ausência de anestesistas. A UPA pediátrica no Itapoã segue apenas como necessidade ignorada. Gestantes ainda enfrentam uma estrutura insuficiente.
O documento entregue pelo Conselho de Saúde não tratava de promessas políticas ou interesses particulares. Tratava de urgências reais, de situações graves e de vidas que dependem diariamente do sistema público de saúde.
As reivindicações apresentadas refletiam o sofrimento diário da população: mães em busca de atendimento para os filhos, pacientes aguardando cirurgias há meses, profissionais adoecendo pela sobrecarga e famílias vivendo o medo constante da falta de assistência.
As perguntas que ficam são inevitáveis: Por que a saúde vem sendo tratada assim? Por que a dor das pessoas continua sendo ignorada?
O Conselho Regional de Saúde levou as demandas até o mais alto nível do Governo do Distrito Federal. Fez sua parte. Tornou os problemas públicos. Cobrou soluções, mas até agora, nenhuma resposta concreta foi apresentada à população.
E quando se chega ao topo de quem poderia resolver e, mesmo assim, nada acontece, cresce o sentimento de abandono, revolta e impotência.
A saúde da Região Leste continua pedindo socorro. Enquanto isso, pacientes seguem esperando, profissionais continuam lutando e famílias permanecem sofrendo.
Confira a íntegra do documento que foi protocolado em mãos pelos conselheiros Marco Antônio Costa Santos, Leandro Chagas e Silvano Lima durante agenda oficial da governadora na região, no último dia 13 de abril:
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AO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL
À Excelentíssima Senhora Governadora Celina Leão
Assunto: Solicitação de Intervenção Urgente em Favor da Saúde da Região Leste do Distrito Federal
Excelentíssima Senhora Governadora,
O Conselho de Saúde, no exercício de suas atribuições legais e em cumprimento ao seu papel de representação da sociedade, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, solicitar intervenção urgente na rede de saúde da Região Leste do Distrito Federal, diante de situações críticas que comprometem diretamente a segurança, a dignidade e a vida da população e dos profissionais de saúde.
As demandas a seguir elencadas refletem a realidade vivenciada diariamente por usuários do sistema público e servidores:
1. Substituição imediata dos elevadores do Hospital da Região Leste (HRL)
Atualmente, dos quatro elevadores existentes, apenas dois encontram-se em funcionamento, sendo que um apresenta falhas constantes. Há registros de paralisações com servidores e pacientes presos, além da interrupção de fluxos essenciais, como:
- Transporte de pacientes em situação de emergência;
- Circulação de alimentos e materiais limpos;
- Contaminação cruzada, com transporte simultâneo de resíduos hospitalares (inclusive de UTI).
A situação representa risco iminente à vida e à biossegurança.
2. Construção de uma UPA com atendimento pediátrico no Itapoã
A Região Leste carece de atendimento pediátrico estruturado. O HRL dispõe de apenas 12 leitos de pronto-socorro pediátrico e não realiza atendimento ambulatorial infantil. A implantação de uma UPA no Itapoã, com funcionamento noturno e aos finais de semana, proporcionará:
- Desafogo do hospital;
- Atendimento oportuno às crianças;
- Maior segurança às famílias da região.
3. Fim da “bandeira vermelha” no pronto-socorro do HRL
A prática de restrição de atendimentos emergenciais, simbolizada pela “bandeira vermelha”, impede que pacientes em situação de urgência recebam assistência, configurando grave violação ao direito à saúde e à vida.
4. Fim da meta numérica de atendimentos na UPA do Paranoá
Em uma unidade de demanda espontânea, a imposição de metas quantitativas limita o acesso da população. A assistência deve ser orientada pela necessidade real, e não por limites artificiais de atendimento.
5. Convocação de aprovados em concursos públicos
A sobrecarga dos servidores do HRL é evidente e insustentável. A convocação de profissionais já aprovados é medida urgente para:
- Garantir qualidade assistencial;
- Reduzir adoecimento ocupacional;
- Restabelecer condições mínimas de trabalho.
6. Contratação de médicos anestesistas
Cirurgias têm sido frequentemente canceladas por ausência desses profissionais, resultando em:
- Crescimento contínuo das filas cirúrgicas;
- Agravamento de quadros clínicos;
- Casos de deformidades permanentes por falta de cirurgias ortopédicas.
7. Ampliação do centro obstétrico e construção de nova casa de parto
A demanda de gestantes supera a capacidade instalada do HRL. É necessária:
- Ampliação do centro obstétrico existente;
- Avaliação e construção de uma nova casa de parto na região, garantindo assistência digna e segura às mulheres.
Diante da gravidade dos fatos apresentados, solicitamos a atenção prioritária de Vossa Excelência para a adoção de medidas concretas e imediatas, capazes de reverter o cenário atual e assegurar o direito constitucional à saúde da população da Região Leste do Distrito Federal.
Certos de contarmos com o compromisso e a sensibilidade de Vossa Excelência, colocamo-nos à disposição para contribuir no que for necessário.
Respeitosamente,
Marco Antônio Costa Santos
Presidente do Conselho de Saúde
Distrito Federal, 13 de abril de 2026
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Depois de um mês, a única certeza é dura e dolorosa: nada, absolutamente nada, mudou.

