Conselho Regional de Saúde do Paranoá propõe mobilização em defesa do SUS

O Conselho Regional de Saúde do Paranoá realizou, no dia 27 de maio de 2026, sua quarta reunião ordinária do ano, marcada por fortes críticas à situação da saúde pública na região e pela defesa de medidas de mobilização social para cobrar soluções do poder público. Durante o encontro, conselheiros representantes dos usuários e dos trabalhadores relataram a persistente falta de médicos, a escassez de servidores e problemas estruturais que vêm impactando diretamente o atendimento à população.

A reunião foi conduzida pelo presidente do conselho, Marco Antônio Costa Santos, e contou com a participação de representantes dos segmentos de usuários e trabalhadores da saúde. Entre os principais temas discutidos esteve a insuficiência de profissionais nas unidades de saúde da região. A conselheira Francileuda da Silva destacou que algumas unidades enfrentam a ausência de médicos há mais de um ano e meio, além da carência de enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros servidores, agravada pelo elevado número de afastamentos por questões de saúde.

O conselheiro Uirandê de Oliveira alertou que a falta de recursos humanos favorece processos de terceirização dos serviços públicos e voltou a cobrar providências para problemas antigos, como a manutenção dos elevadores e melhorias na estrutura do atendimento odontológico. Ele também sugeriu que o Conselho de Saúde do Distrito Federal fosse acionado para convocar todos os conselhos regionais a uma manifestação em frente ao Palácio do Buriti, com o objetivo de denunciar a situação da saúde pública no Distrito Federal.

A proposta de mobilização recebeu apoio de outros conselheiros, embora Vanderlei Pereira tenha defendido que qualquer manifestação preserve seu caráter institucional e não seja utilizada para fins eleitorais. Durante sua fala, ele relatou experiências pessoais vividas durante uma internação no Hospital Regional da Região Leste, apontando sobrecarga das equipes de enfermagem e dificuldades de acesso a serviços especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Também foram apresentados relatos de usuários que buscaram atendimento em diferentes unidades de saúde sem sucesso. O conselheiro Tiago da Silva afirmou ter enfrentado dificuldades para conseguir assistência durante uma crise renal, conseguindo atendimento apenas em uma unidade de outra região administrativa.

Outro tema recorrente foi a situação dos elevadores do Hospital Regional da Região Leste. O presidente Marco Antônio Costa Santos informou que já encaminhou documentos à governadora do Distrito Federal relatando o problema, mas que, até o momento, nenhuma solução efetiva foi implementada. O conselheiro Leandro Chagas reforçou a preocupação com a demora das autoridades em atender às demandas da população, destacando que apenas frequentemente apenas um elevador está em funcionamento e com operação limitada.

Além das discussões sobre os desafios enfrentados pela rede pública de saúde, os conselheiros também abordaram a necessidade de ampliar a participação popular na próxima Conferência de Saúde. A conselheira Francileuda da Silva sugeriu a produção de material informativo para divulgar o evento junto à comunidade. A proposta foi apoiada pelo conselheiro Leandro Chagas, que se comprometeu a produzir um vídeo explicativo integrado a um QR Code para facilitar o acesso da população às informações sobre a conferência.

Ao final da reunião, os participantes reforçaram a importância da mobilização social e do fortalecimento do controle social na saúde pública, defendendo que a população participe ativamente dos espaços de discussão e fiscalização das políticas públicas de saúde.

"Viva o controle social", lema adotado pelo Conselho Regional de Saúde do Paranoá, foi novamente lembrado pelos conselheiros como um chamado à participação cidadã diante dos desafios enfrentados pela rede pública de saúde da região.

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